domingo, outubro 05, 2008

"...rasgando a natural desordem da Avenida José Estêvão, na Gafanha da Nazaré, passa a
grande velocidade uma ambulância do INEM. Incrível como quase parece combinado
aquele silêncio imediato resultante da sirene e luzes da ambulância. É impossível, mesmo
até para o mais desatento, não reparar que algo diferente está a acontecer.
Houve um acidente?
Quem?
Onde?
Como?
Nós, os habitantes da Gafanha, tomamos já como algo normal a constante confusão na
Avenida. Desde centenas de bicicletas e quase sempre a par ou até em contra-mão
(a bicicleta aqui é ainda utilizada como uma meio de transporte e não apenas lazer ou
desporto) a estacionamentos à porta da loja (dá muito trabalho caminhar vinte metros)
ou até mesmo garotos que "saltam" para a estrada como resultado de brincadeiras
(situação quase constante junto às paragens de autocarro perto do ciclo da Gafanha).
Trata-se duma avenida com mais de dois quilómetros onde se encontra quase todo o
comércio, bancos, serviços, escritórios, e por onde passam todas as rotas de autocarro.
O normal aqui é a confusão.
O normal aqui é a desordem.
É preciso acontecer algum acidente ou alguém pedir socorro ao INEM para que a "calma"
se sinta na avenida (mesmo que seja uma calma mascarada de dúvida e surpresa que grita
mais alto durante breves segundos).
..."

ps: e foi assim que comecei o meu primeiro trabalho teórico de mestrado

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"quem sou eu"? ....BOA PERGUNTA!